domingo, 18 de outubro de 2009

Cheiro de flores

Pra variar, falemos então sobre seres dóceis. Não,me refiro animais de estimação não, gente! Tô falando daquelas moças inteligentes, tímidas, discretas, bonitas, sorridentes, amavéis, educadas, que nunca alteram o tom de voz, amam crianças e animais e têm como grande objetivo de vida se casar na igreja de véu e grinalda, passar a lua de mel em Paris, ter um casal de filhos e ser feliz pra sempre. Como num conto de fadas, isso mesmo!

Na adolescência mantinham o tradicional diário com tudo de mais importante que pode acontecer nessa época. No caso delas, a ida ao shopping com as amigas e o primeiro beijo servem como exemplo de "top secret". São românticas desde sempre e não ficam, namoram. Relacionamentos sérios e duradouros. Fazem parte do "Clube das Namoradas Perfeitas" e cozinham para o namorado no fim de semana.Entendem de maquiagem, etiqueta, usam tons pastéis e estampas florais, falam inglês fluentemente, gostam de Ursinhos Carinhosos e Hello Kitty. NUNCA xingam, se emocionam com facilidade e MORREM DE MEDO de barata! Não são Barbies, são princesinhas!

Confesso, que seres docéis assim me apavoram. Não consigo assimilar tanta perfeição. Mulher assim, tão equilibrada, tão feliz, tão saudável, tão politicamente correta não pode ser normal. Mulher assim não bebe, não dança "chãochãochão", não pinta as unhas de vermelho, não conta piada, não tem o tal sexto sentido e só deve fazer papai-e-mamãe! Mulher assim não peida e, se o fizer, o odor será de flores. Resumindo, um tééédioooo!

Fico me perguntando se os homens gostam de mulheres assim. Me refiro a gostar=tesão, sabe? Porque gostar de uma mulher que estará sempre pronta com uma cerveja na bandeja e um sorriso no rosto, é fácil. Sai mais barato que uma empregada, né? E nem precisa pagar FGTS. São perfeitas para mostrar aos amigos, à família e ao chefe na festa da empresa.

Mas...e sexta à noite? No dia do sexo selvagem, em que todo homem gosta de mulheres lascivas na cama, como que fica? Fácil. A personificação da perfeição fica em casa, provavelmente ajeitando milimetricamente a cortina de babados rosa da sala. Enquanto seu 'príncipe encantado' anda cavalgando em outro Castelo.

Mas o meu otimismo me leva a crer que dentro de cada mulher dócil, há uma verdadeira fera pronta pra mostrar as garras. Só falta mesmo o ímpeto de viver. Largar o script de comédia romântica e partir para um filme do Almodóvar. Viver intensamente, se permitir sofrer, xingar quando tem vontade e odiar a vizinha que ouve Bruno&Marrone.

Eu sei que é quase impossível uma mulher assim estar lendo esse texto, já que elas não acessam a internet com medo de encontrar pornografia. Mas se alguma aí estiver me lendo, faça um teste. Chegue em casa e deixe a pasta de documentos jogadas no sofá, deixe a louça de ontem para amanhã, saia do banheiro molhada em direção à cozinha. Ligue o som e coloque aquela música de letra duvidosa mas com um ritmo bem empolgante. Faça isso e me conte depois. E quando me contar, use um palavrão bem cabeludo como adjetivo.

Nota do Autor: Eu sempre achei muito mais graça nas madrastas do que nas princesas. Ah, Deus sabe como eu torci para o caçador arrancar logo o coração daquela albina desgraçada.

C.Junger & J.Fellip

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Saúde bucal

Esqueci quase tudo o que aprendi na escola, mas uma coisa que ainda me lembro muito bem é como escovar corretamente os dentes. Sério! As equações, a tabela periódica, as leis da física, os coletivos, pronomes de tratamento, as revoluções históricas, a vida dos aracnídeos. Tudo isso teve pouquíssima (ou nenhuma) utilidade até momento, porém jamais me esqueci a maneira correta de escovar os dentes.



E não pense você que aprendi isso no jardim de infância, não. Foi lá pela sexta ou sétima série. Tínhamos uma matéria chamada "Programa de saúde", algo assim (não me lembro o nome da matéria). A professora era a diretora da escola, que por livre e espontânea vontade adicionou à nossa grade curricular essa matéria e nos ensinou muitas coisas realmente úteis sobre aids, como as drogas agem no organismo, DST's, métodos contraceptivos etc.


Não tinha prova, notas, avaliações, recuperação, nada disso. Um trabalhinho ou outro apenas. Um dia ela mandou que levássemos nossas escovas de dente, nos levou pro taquinho do jardim de infância, mandou bochecharmos uma coisa roxa que manchou a boca de todo mundo e pediu que escovassemos os dentes. Ninguém escovou corretamente! Então ela nos ensinou o jeito certo e voltamos pra casa sem aquele roxo horroroso na língua.


Não sei quanto aos outros alunos, mas como vocês podem ver, eu nunca me esqueci dessa aula e isso me faz pensar que se as escolas, os educadores, o governo, o MEC, os pais e as editoras de livros infantis educassem com mais dinamismo e criatividade, talvez nós chegaríamos a vida adulta sem se esquecer de metade do que (supostamente) aprendemos na escola.
E a saúde bucal? Vai bem, obrigada!


C.Junger

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Será que todo dia vai ser sempre assim? Tomara que sim!

05:45 ele acorda. 06:20 ele tem de estar na rua para pegar o maldito ônibus que o leva para os confins do Centro da cidade.
07:30 ele acorda (novamente) da sua poltrona reclinável com ar condicionado (sim, pelo menos me dou o direito de ir em um coletivo decente. Me falta dinheiro, não glamour!)
08:00 ele está colocando a sua digital em um leitor biométrico e começando a sua jornada de trabalho mal remunerada.

Está aí um belo exemplo de rotina.
Diária, sem alterações bruscas, sem emoções variadas.
Mas sabe que, apesar de mostrar cansaço, eu não reclamo.


As pessoas aprenderam com personagens de novelas a reclamar da rotina. Todo mundo quer, igual ao galã do horário das 20h, estar cada dia em um País, beijar uma mocinha em cada capítulo, ter milhares de segredos incofessáveis para esconder até a sua honra permitir.


Eu, que vivo na vida real, não me sinto tentado por nada disso.
Sigo o meu roteiro. Um roteiro que eu mesmo escrevi. E que me serve muito bem, por enquanto.
Então, você que reclama diariamente da sua rotina, me responda:
Qual o seu plano de fuga?


A primeira coisa que sempre vêm à cabeça é: "Se eu ganho na Mega Sena, sumo. Passo a minha vida viajando". Mas, passar a vida viajando também não seria uma rotina?
Vamos aprender com Tio Aurélio:


subst f rotina - repetição dos mesmos atos, hábitos


Oras, respirar é uma rotina. Comer é uma rotina.
Porque só falamos mal de determinadas rotinas?
Na verdade, queremos uma rotina de molezas, uma rotina de benefícios. Ninguém quer a rotina de trabalhar.
Mas se fazer compras todos os dias vira rotina...

Então, parafraseando Elisa Lucinda, parem de falar mal da rotina. Ela é necessária. Funciona quase como um guia para nossos desejos e deveres. Se for pra fugir da rotina, fuja de um jeito leve, divertido, sem maiores transtornos. Faça um caminho diferente para o trabalho. Experimente um restaurante novo na hora do almoço. Termine um texto com uma pontuação diferente:

J.Fellip

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Café, azia & leite

Tomei um café à tarde no trabalho que me fez mal. Café nunca me faz mal e eu bebo duas vezes por dia, pelo menos. Não sei o que houve que bateu uma azia fodida. Tarde chuvosa, bateu um soninho... É, aquele café não estava bom mesmo.

Fim de expediente, vou para a faculdade. Pra quê um ônibus com ar condicionado tão frio? Mais meia hora ali e eu congelaria, com certeza. Desci do ônibus e tive uma GENIAL idéia. Comprei uma Coca-Cola pra ver se melhorava o enjôo... PORRA NENHUMA!

Para piorar, na sala de aula senta uma criatura na minha frente fedendo a cigarro, um cara do meu lado fungando e tossindo e um babaca atrás de mim que não sossega na cadeira. E eu ali, esquisita e com sono.
Se eu matar a próxima aula a professora, só pra sacanear, vai fazer chamada. CER-TE-ZA!

Vou fazer xixi, volto e o professor ainda no mesmo ponto: Oligarquias, coronelismo, República do Café-com-leite... Café?! Não, obrigada.

C.Junger

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Com o mouse apontado para a cabeça.

Irônico. Inteligente. Com humor sarcástico.

Eu poderia estar descrevendo esse blog, mas estou falando de um de seus idealizadores, Jean Fellip, que faz hoje sua estréia como colunista do MeioAmargoo. Seja bem-vindo, Jean!



Contraditório eu começar minha participação aqui no Meio Amargo falando sobre
Suicídio Virtual. Mas eu sempre adorei contradições, então é isso e acabou.

Acabou!


Essa foi a sensação que tive ontem ao apertar o botão "Excluir a conta" no famigerado Orkut. O botão me pareceu um gatilho, que apontado para minha cabeça acabava de vez com a minha vida. Virtual, é claro! Na verdade fiz isso mais como laboratório para esse texto. É, mais ou menos. Claro que aliado a uma falta de paciência sem tamanho para recados, atualizações, login e senhas.


Hoje, apenas um dia após o acontecido, já sinto os efeitos que isso causa em uma sociedade cada vez mais presa a um mundo de mentiras e aparências; Frases como "Meu Deus, o que aconteceu com seu Perfil?" ou "Que 'piti' foi esse de deletar a conta no Orkut?" estão sendo repetidas a cada cinco minutos.

A resposta para as perguntas é sempre a mesma: [cara serena, riso disfarçado]

Eu quis!


Eu, o Jean, continua aqui. Eu sou isso, esse bolo de carne (por hora, mais carne do que deveria ter) que anda, fala, pensa, erra. Aquilo lá era apenas uma página de internet com pouco mais de 100 fotos e alguns recados.
Continuo amando as pessoas que amo.
Continuo pensando as coisas que penso.
Continuo sendo o que eu sempre fui. A diferença é que agora estou disponível em um canal a menos de comunicação.


Não adianta vir com esse papo de "mi mi mi, alienação, blá blá blá". Alienação de verdade é achar que uma página de internet que pode ser maquiada do jeito que quiser mostra algo sobre você.

Quer me "add"? Venha falar comigo. Escute minha voz, sinta meu cheiro, sinta a minha energia. E você estará aceito não em uma página de internet, mas sim na vida de uma pessoa.
Não sei onde vai parar esse meu estudo quase que antropológico. Mas, por enquanto está sendo divertido. Pode ser também que eu volte a ser uma página de internet bonitinha com fotos pensadas e publicadas sobre legendas espertinhas.


Você sabe, eu adoro uma contradição.

J.Fellip

domingo, 20 de setembro de 2009

Psicologia e crônica

Vinte e uma horas e vinte minutos. Aula de Psicologia: O funcionamento do inconsciente, as patologias da mente humana, as neuroses, as psicoses, as principais fases da Psicologia, o Behaviorismo, Freud, blá blá blá... E eu me lembro que esqueci de preparar a crônica para a aula de Português, que por acaso é amanhã de manhã.
Esqueci de escrever a tal crônica porque, revirando uns arquivos, encontrei uns textos que seriam usados em um blog que eu ia criar em parceria com um amigo (projeto que nunca saiu do papel). Escolho um desses textos, dou uma revisada, imprimo e tudo certo! A idéia pareceu um pouco desonesta, bateu uma dorzinha na consciência, mas eu acabei dando o problema por resolvido e me esquecendo dele. Ok, eu tenho que praticar a escrita e a professora merece um texto novinho, feito só para ela... Mãos à obra! O inferno vai ser chegar em casa depois das onze, ligar o computador, tirar criatividade sei lá de onde e rezar para a impressora não dar pane.
Vinte uma e trinta e cinco e a professora começa a explicar que a Psicologia tem como objeto de estudo o homem, porém com um enfoque diferente da Filosofia, da Antropologia e da Sociologia... JURA?! Poxa, ainda bem, né? Senão seria inútil estar ali assistindo àquela aula, uma vez que já cursei Filosofia, Sociologia e também Antropologia.
Resolvo então começar a esboçar meu texto e a colega ao lado começa a tentar ler o que estou escrevendo porque pensa que estou fazendo anotações sobre a aula. Coitada! Fica tensa com as minhas intermináveis anotações sem saber que estou bem longe de todo aquele papo behaviorista. Como se já não bastasse a colega de olho nos meus escritos, a professora decide colocar mais matéria no quadro. Largo o esboço da crônica e vou copiar a matéria...
É incrível! A gente cresce lendo crônicas nos jornais, nas revistas, nos blogs etc, mas na hora de sentar e escrever uma parece o fim do mundo, Enfim, cheguei em casa e fui direto para o computador. Porém, como eu estava cansada, estressada, com fome e sono, para melhorar minha situação o pior aconteceu: O COMPUTADOR NÃO LIGOU! Na verdade, ele ligou, as luzes todas acesas, mas a tela completamente APAGADA.
Quinhentos palavrões depois, eu decido escrever o texto à mão mesmo. Melhor do que chegar na aula sem a bendita crônica. Ninguém manda deixar tudo pra última hora. Aliás, isso de deixar tudo para a última hora, dizem, é coisa de brasileiro. Pois é... Uma loucura, né? Mas quem sabe "Freud explica"?

C.Junger